O Luto de Dona Flor


Por Rosangela 


Dona Flor parou em êxtase quando seus olhos começaram a se fixar no nada. Ali, seu coração batia tão forte que ela não conseguia respirar. Sua mente se inundara com o pensamento de que a finitude chegara.

Mas , uma voz interna se contrapunha dizendo: mas finitude é um nome que damos para a morte, mas a morte não tem nome! Ninguém sequer a conhece...
E , ela sabia que quando o real a atravessava a dor não tinha nome, pois o real é inominável, impossível de simbolizar.. ..Não há palavras que possam ser evocadas. O real é inacessível , não pode ser tocado ou descrito como uma narrativa que ela pudesse inventar Nada poderia nomear o que ela desconhecia.
A finitude não era algo que pudesse ser compreendida. Nem sequer seria possível aceitar
Mas o fim chega e ele não tem nome.O fim não tem como soletrar, pontuar ou achar uma outra forma de falar. No fim nada cabe mais nada . No fim o oceano é profundo ,afundado em mistérios desencontrados e cheios de noites para viver.
E ali estava dona Flor sentada em sua varanda avistando sua alvorada , sentindo o cheiro da chuva que caía em seus olhos e molhava sua alma e fazia de toda aquela vivência uma vida que ela sabia que só poderia viver aquele dia, pois não havia amanhãs para ela.
Cada instante era único, cada respiração era rara, cada silêncio era um barulho muito alto que ela tentava calar
ouvindo cada lembrança que sua infância deixou em sua alma ,restaurando a sensação de que havia algo mais que ela ainda iria encontrar, quando sua voz se calasse e seus olhos se fechassem.
E assim tudo terminou.
Em seu quarto agora só se podia ver suas roupas jogada na cama, o relógio tocando como sempre fazia pela manhã pata se levantar e preparar o café da manhã.
Mas naquele dia a.noite chegou cedo demais. Não havia mais ninguém ali ....agora ficaram somente lembranças e muita gente pra chorar

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