Sobre o Luto

 Por Rosangela Brunet

Quero iniciar esta estória começando a refletir a apalavra FIM.

 "O que vale na vida não é o ponto de partida e sim a caminhada. Caminhando e semeando, no fim terás o que colher." Cora Coralina

No entanto, esse conceito nos remete  "momento ou ponto onde algo ,alguma coisa ou a existência de alguém  se encerrou. Principalmente ,se estamos falando de alguém  sabemos que a vida vida se foi, a pessoa não estará mais lá,  e há um silêncio e uma dor que não se consegue nomear e desconhecemos a forma, o porque, o quando ou o como isso acontece. Não há epílogo ou conclusão. 

Eu vivi muitas vezes a experiência do fim., o fim do meu pai, , de duas cunhadas, da minha mãe e de um casamento. Tudo que sentia era  uma "falência múltipla dos órgãos" de toda minha vida.

Sabe-se que com a idade o que se segue é a morte,  é um mito , como lidar com o fim desse significado de vida e dessa história ainda não foi terminada? 

Minha Mãe  teve um relacionamento muito intenso com meu pai. Com sua morte ela sofreu de um transtorno depressivo e se recuperou, mas eu sempre me perguntava. "O que é se recuperar de uma perda após 62 anos de convivência?
  .Acho que o fim tem um significado mais complexo quando estamos inseridos dentro de um cenário ,onde a paz não é uma constante. Então , se estamos falando de fim lembro de Douglas Mac Arthur quando diz "que só os mortos conhecem o fim da guerra"~. Eu acrescentaria, só os mortos conhecem  o fim, pois quando pensamos em uma guerra, lembramos que ali estão presentes  o fim da humanidade .
O fim se constitui em uma guerra interna, onde não consigo definir a guerra como outro nome, senão, um fim; ou mesmo não há como pensar no fim sem imaginar o conceito de guerra.

"Só nos curamos de um sofrimento depois de o haver suportado até ao fim".

                                                            (Marcel Proust)





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