A tarde cai no silêncio da noites. Ela procura silenciosamente

 Pet Rosangela Brunet 


Eu também me tornei silêncio na vida de quem eu mais amei 
Eu esperei por quem nunca prometeu voltar



O meu amor era sagrado, mas não era obrigatório. Estou voltando para mim,pois mereço mais do que ser coadjuvante da minha história. Estou voltando para si mesma. Estou amando e aceitando minha dor,pois só eu as conheço e posso cura-las
A casa sempre esteve vazia,a dor é o meu espelho,foram ilusões que eu mesma criei. Não havia um contrato assinado,mas apenas a projeção das minhas carências
Hoje me vejo, sou inteira,sou meu alicerce. Minhas lágrimas são redenção

A tarde  cai no silêncio da noites. Ela  procura silenciosamente a eternidade que repousa no sol  que sua alma aguarda respirando remissão de tudo que não poder existir.
Sempre que ela sofre dessa dor,um anjo sai em seu encontro, se declina sobre ela ela trazendo a lembrança do firmamento que a espera.
Ele lembra que seu incenso nunca se apagou, seu altar nunca não se desfez
e o firmamento se torna um umespaco de brumas e luz.
É então que sinto a eternidade respirar dentro de mim.

O vento sussurra orações antigas,
as árvores curvam-se como fiéis em adoração  ,
e eu, partícula viva da criação,
me
escubro entre o pó da terra e o hálito do divino.

Sou o reverso da minha sombra,
o lado invisível daquilo que se mostra.
Na luz do entardecer compreendo:
sou o anverso de uma imagem sonhada por Deus,
pincelada em silêncio sobre a tela do tempo.

Os contornos da minha sombra são a lembrança da carne,
mas o espírito, esse invisível que me move,
é o reflexo do Eterno em forma humana.
E quando ergo os olhos ao céu,
reconheço-me — fragmento da própria luz que me criou.

A tarde se dissolve em púrpura,
o dia morre em paz nos braços da noite,
e eu sigo contemplando o mistério que me habita.
Nada em mim é acaso,
tudo é propósito: respiração de Deus em forma de existência.

Sou luz vestida de corpo,
voz que ecoa entre o visível e o invisível.
E quando o crepúsculo me cobre de silêncio,
sei que não sou sombra nem matéria,
mas essência eterna que retorna ao seu Criador.

Rosangela Brunet

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